João Baraúna era um bom “cantador de cordel”. Morava ali perto da Rádio Povo. Tinha voz bonita, entoada e era assim que ele atraía o povo para a roda dos camelôs que vendiam garrafadas, remédios, mezinhas e misturas nas feiras livres.
João Baraúna era um propagandista. Uma profissão que acabou quando as farmácias e médicos começaram a chegar nas pequenas cidades e a indústria farmacêutica os viu como concorrentes.
Existe uma diferença entre o camelô comum e o propagandista embora os dois usassem as ruas e tivessem procedimentos de “marketing” parecidos baseados na picardia e espertezas comerciais e ilusórias.
O propagandista era aquele da cobra, do jogo, da declamação e do palavreado próximo da medicina mas seu foco era a garrafada, a pomada ou qualquer outro produto que podia tanto ter certa idoneidade e eficiência como ser completamente falso.
O folheteiro, cordelista, cangaceirólogo, cover de Lampião, Jurivaldo Alves, foi um deles, um propagandista. Sabe as gírias, conhece as manhas, viveu situações insólitas pelos grotões sertanejos. Foi até fabricante de um “vinho reconstituinte”.
Nesse vídeo abaixo vai um pouco do depoimento que colhemos de Jurivaldo acerca dos “propagandistas”. Há muitas histórias e outros personagens além de João. Vamos publicar por partes e aos poucos. Obrigado por nos acompanhar.


