Esse samba popular nasceu depois que a feira-livre foi deslocada para o Centro de Abastecimento. Veio a urbanização da praça do Tropeiro e o samba continuou pelas barracas. No século passado, o samba acontecia na de Dona Bárbara. Eu vi Baio do Acordeon, com um pé no tamborete, debulhando a 8 Baixos, aquecido pelo clima de festa. Ele ainda aparece, quando pode. Dona Bárbara era cadeirante, volumosa, movia-se sentada numa cadeira de rodas com autoridade de Babalorixá. (Congele o tempo, feche o pano do destino)
Lá um dia, almoçando em Machado, no Galpão das Farinhas, ouvi o toque, a pandeirada, o zabumba estralando, vozes de coro desconcertado e refrões de caboclos. E a sanfoninha troando. Era Bié dos 8 Baixos lá no Galpão da Miséria, onde ficam hoje as peixarias, Foi um bom tempo aquele na Barraca de Santinha, sempre às segundas-feiras. Com a morte de Bié…
Passou-se o tempo e lá um dia, no Mercado, topo com Luizinho. “Estou fazendo Samba lá na praça..”
Voltou a tomar fôlego com Luizinho dos 8 Baixos e uma nova geração de barraqueiros que sabe da importância do Samba para a Praça e o comércio, de um modo geral, como produto e referência cultural.
Essa festa, que mistura sanfona, a música dos “carurus de Ipuaçu” por onde Luizinho se tornou autodidata, e a dança de sambadores e sambadeiras, está registrada também em cinema de Uyatã Rayra e Duda com “Bié dos 8 Baixos”.
Enquanto a Prefeitura de Feira termina as obras na Praça, o Samba está no interior do Centro de Abastecimento, entre os galpões das Farinhas e os das Carnes. Mas Luizinho regula os decibéis, menos pandeiro, menos tambor, menos percussão. Pra que o samba, que também é forró, não pare de jeito nenhum.
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