O poeta Godofredo Filho pergunta “onde andará Beco do Mocó?” no prefácio de “Litania para o Tempo e a Esperança”, livro de versos de Dival Pitombo, em 1983. Beco do Mocó, nunca foi publicado, mas um dos poemas do “Litania” foi internalizado, ficou popular pela Feira de Santana, de tanto vê-los, em todos os lugares pela cidade e principalmente na avenida Getúlio Vargas onde chamam a atenção dos passantes: “Os Flamboyants Estão Floridos”
(…)
Homens práticos
parai vossos computadores.
Mágicos, poetas,
sacerdotes,
homens públicos
e mulheres publicadas.
Vagabundos,
viciados e ladrões,
e lânguidas prostitutas
que investis na noite
o ouro das vossas vidas,
esquecei por um instante
a vossa loucura.
E correi, de mãos dadas,
para a praça.
Vinde olhar o céu,
que há um jardim de fogo
plantado no azul.
Os flamboyants estão floridos!
(…)
Quando Pitta postou aquele verso em defesa do arvoredo do canteiro central da Getúlio, ameaçado por um projeto urbanístico com apetite de trator, é claro ele fazia uma referência consciente ao verso do escritor:
“Como vai ficar minha alma quando procurar na avenida os flamboyants na primavera?”
Ele não somente leu, como conheceu Dival, o poeta, o intelectual refinado que foi anfitrião de Jean Paul Sartre pelas ruas de Feira dos anos 60 do século passado, um dos fundadores da UEFS, autor de um romance misterioso que despertava a curiosidade de poetas como Godofredo e Iderval Miranda. Quando se teve notícia e apareceram os originais do Beco do Mocó, a Editora da UEFS, ironicamente, recusou publicar.

Fotos: Pitta, Dival, Avenida Getúlio Vargas, ilustração da capa do livro ‘Litania para o Tempo e a Esperança’, e bico-de-pena de Godofredo Filho.
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