No começo dos anos 1990 antigos ônibus começaram a substituir os paus-de-arara que transportaram os feirenses da zona rural para a sede do município, às segundas-feiras. Neles, penduravam-se placas que identificavam os destinos. Ali na subida do Sobradinho, habituei-me com os ônibus que iam para Jaguara e para algumas de suas comunidades rurais: Morrinhos, Sete Portas e Barra, esta última bem num dos extremos do município.
Hoje, na Praça do Tropeiro e no entorno, é comum encontrar ônibus e vans com destino ao longínquo distrito. Percorrendo a Estrada do Feijão e vias empoeiradas, chega-se à sede de Jaguara, distante 35 quilômetros. Lá também predomina, como marcante traço cultural, a memória pastoril que forjou a ocupação da região, com seus vaqueiros e a pecuária como principal atividade econômica.
Em extensão, Jaguara é o maior distrito feirense: impressionantes 358,92 quilômetros quadrados. Daí a baixa densidade demográfica: só 11,08 habitantes por quilômetro quadrado. Nos 2.252 domicílios recenseados no distrito, foi registrada a presença de 3.977 moradores. A população vem declinando rápido: em 2000, havia 6.434 habitantes.
Jaguara possui múltiplas fronteiras: com Tanquinho e Candeal (Norte), Serra Preta e Anguera (Oeste), com Ipuaçu (Sul) e Maria Quitéria (Leste). Em seu território extenso, localizam-se serras como as de São José (631m), do Pote (591m), da Passagem (518m) e Queimadinha (431m), menos íngremes que aquelas localizadas em Bonfim de Feira.
Assim como os distritos localizados ao Norte da Feira de Santana, Jaguara conta com população majoritariamente negra. Há, por lá, só 115 brancos, que convivem com pardos (2.221) e pretos (1.639). O nível de alfabetização é dos mais baixos da Princesa do Sertão: só 77,89% é alfabetizada, contrastando com os índices acima de 90% do município.
Não existem amarelos ou indígenas residindo no distrito. Há mais homens que mulheres, – contrariando a regra – mas a diferença é pequena: 2.025 homens e 1.952 mulheres. Quem vive em Jaguara não mora em apartamento, condomínio, maloca, casa de vila ou cortiço: 100% da população reside nas 1.433 casas recenseadas. Em cada casa há, em média, 2,8 pessoas.
No passado, Jaguara tinha outro nome: Bom Despacho. Tornou-se Jaguara somente em 1943. No distrito existe a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, com uma igreja que constitui uma dos atrativos do distrito. Também emblemática é a barragem que garante oferta hídrica à população. Quando a temporada de chuvas é boa e a barragem sangra, as imagens circulam fartamente nas mídias sociais.
Ilustração: barragem de Jaguara, julho/2025. Arquivo BF
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