Hoje na praça da Matriz vi um homem vendendo taboca e chamando freguês com matraca. Na minha infância em Mossoró era cavaco-chinês embora não houvesse um só asiático na cidade. Não é comum de se ver, mas não é raro avistar uma dessas figuras do século passado pela Feira. Tem de tudo que é Nordeste, de tudo um pouco, um tiquinho pra saber o gosto. Segui o vendedor pela calçada da rua Direita. Não havia freguês interessado, não havia crianças curiosas nem pais saudosos do sabor da iguaria. Um casal cutucou-se e sorriu, talvez lembrando, como eu, de dias antigos. Mas ninguém comprou e eu o perdi de vista à altura do Sebo de Narciso, onde um estudante de Física procurava não sabia o quê exatamente, mas procurava, enquanto ‘Ciso’ tomava uma gela com Jorginho, logo adiante, no Mandacaru. E a silenciosa Filarmônica Victoria defronte, testemunhando a cena, muda.
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