O show de samba-de-roda da Quixabeira da Matinha, deu o tom espontâneo ao lançamento, solene, do 19° Festival Literário de Feira, no Centro Cultural do Sesc, ontem à noite. Após um cansativo cerimonial com dezenas de discursos repetitivos no Teatro, a platéia se mudou para outro espaço e quase toda caiu na levada do samba de Guda e Dona Chica do Pandeiro. Às 21 horas, o som ainda rolava.
O Festival é organizado pela Universidade Estadual de Feira de Santana e acontece de 25 a 30 de agosto. Este ano, ao invés da Praça Padre Ovídio, no centro, será montado no Centro de Convenções, no bairro São João
No Teatro, foi apresentado o tema do Festival: “Feira é o Mundo” que deu o mote para exaltações, quase épicas, que pontuaram falas de organizadores e parceiros institucionais.

Não houve citação de números ou dados pesquisados, mas a sensação passada nas falas é de que nesses 19 anos do evento ocorreu uma contribuição inestimável no melhoramento do nível de leitura em Feira e região, e, por decorrência, no analfabetismo e ignorância.do povo.
A programação visual do Festival é do artista visual Sidarta Gautama. Foi bastante elogiada e segundo uma das oradoras da noite teve inspiração e enredo na obra de Juarez Bahia, *Setembro na Feira”.
Dois ex-Reitores da UEFS presentes: José Carlos Barreto e Evandro Nascimento. Foi-me impossível vê-los e não lembrar do irresponsável extravio sem explicação dos originais do romance “Beco do Mocó”, de Dival Pitombo.
A reitora Amali Mussi fez questão de destacar, a presença na plateia, de Maria Marighella, que é ex-presidente da Funarte e pre-candidata a deputada federal. O deputado federal Zé Neto chegou depois e recebeu apenas o registro da mestra de cerimônia e menos aplausos.
Em matéria de político não houve exorbitância. Além da “neta do guerrilheiro”, a que comandou os milhões da Funarte (o orçamento do ano passado foi de 260 milhões!) e do “deputado do Bangalay”, estavam o vereador Lulinha e o ex-vereador Jhonatas Monteiro.
Sobre a exposição de arte visual, da qual, entre outros, faz parte, o artista Charles Mendes, como tinha muita gente no momento, outro dia comento. Mas está la aberta ao público e você pode visitar. Observo que as paredes dos corredores, escadas e subidas do prédio são uma verdadeira galeria. Sem falar nas ruínas ao lado que compõem um cenário de destruição e desleixo, mas esteticamente belo.
Outros nomes: Márcia Porto, Dionorina, Janno, Jurivaldo, Girlânio Guirra, Juliana Vital, Neném Sanfoneiro e Rose, Roberval Pereyr, Marcinha Costa, Vivaldo Lima, vereador Ivamberg, Mila Assis, Djalma Ferreira, Thiago Coutinho, Jorge Telles…os que lembro, haviam mais.
Senti a ausência do arcebispo emérito Dom Itamar Vian, escritor, um dos idealizadores da “Feira do Livro” que começou pequena no estacionamento da Matriz. Há poucos dias, o organizador do livro “Uma vida pela vida” sobre o jejum de Dom Luís Cappio em defesa do Rio São Francisco, estava no Paço Municipal no anúncio da desapropriação do prédio da Filarmônica. Mas representando a igreja católica, ontem à noite no Sesc estava um frade dos Capuchinhos, Frei Cristóvão.
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