Foi pagar o caldo-de-cana no Pix, olhe o nome:
John Lennon Silva Cedraz.
Só pode ser marketing, pensou.
– John Lennon?
– É sim, confirmou, e continuou o trabalho.
Quando entregou o copo, perguntou:
– Foi papai ou mamãe? Ele entendeu rápido:
– Foi mamãe, deu trabalho danado pra registrar.
E voltou à moagem.
Não puxou mais conversa. Deixo para outros a tarefa de apurar sobre a ‘beatlemania’ da mãe do vendedor de caldo. E se ele inventou?! não, não acredito, acho que é real. Fiz a foto sem ele perceber, não acho que ele vá achar ruim, e seguiu.
A mulher apalpa frutas e faz muxoxo, o homem empurra o carro-de-mão cheio de frangos vivos, a 40 reais cada, com exceção do galo de crista vermelha como um morango mordido.
A Feirinha do Sobradinho é charmosa.
Sempre foi o que foi, pequena, no espaço da bifurcação, aquela ponta de ferro-de-engomar formada pela rua Bartolomeu de Gusmão com a Humaitá. Há muitas árvores, sombra, e um clima de vizinhança pacífica. Sabe bem Andre Silva Pomponet que viveu aqui, Dilton Coutinho é emérito, o bairro tem peculiaridades. Pra mim, o próprio nome é um sussurro…lembro a piada da Rádio Cultura de Oscar Tabaréu: “cochichando para o Sobradinho”...e dali onde hoje é somente Posto Jacuípe havia uma espécie de sobrado onde funcionava um bar.
Pensava mais ou menos assim, já no rumo da rua da Palma, quando ouço a voz:
– “O que você está fazendo por aqui…!?”
Era o cantor Djalma Ferreira, morador histórico do Sobradinho.
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