Ontem (16) começou oficialmente a campanha eleitoral de 2026. A partir de agora e até outubro, os candidatos aos mais diferentes cargos podem pedir votos ao eleitorado. Na Feira de Santana, diversos comitês eleitorais foram inaugurados. Houve buzinas, fogos e jingles pela cidade, normalmente silenciosa aos domingos. Também não foram poucos os automóveis circulando já plotados, com a cara, as cores e o número do candidato em destaque.
Observando a movimentação pela cidade, desde já, pode-se deduzir que disputar um cargo eletivo está se tornando, cada vez mais, uma briga de gigantes. Não exatamente gigantes por boas propostas, por trajetórias de defesa dos interesses da sociedade, por uma ética inatacável, nada disso. Mas, sim, potentados econômicos que entram na disputa com larga vantagem.
A estrutura de campanha – carros e mais carros, ônibus, vans, mini-trios, comitês espaçosos e bem localizados e, sobretudo, centenas de cabos eleitorais – mostra que, hoje, são mínimas as chances de quem gravita fora do ecossistema de poder dos partidos e não dispõe de mandatos eletivos.
Chama a atenção, por exemplo, o perfil de quem circula por aí abordando o eleitor, disputando votos. Nada do ardoroso defensor de uma causa política, militante de partido, estudantes, como acontecia noutros tempos. A dedicação, agora, é profissional, gente engajada em mandatos, outros contratados a cada pleito, mas com reconhecida tarimba eleitoral.
O arsenal de cargos disponível reforça o favoritismo de quem já navega recorrendo à máquina pública. Órgãos federais, estaduais e municipais são rico filão utilizando no jogo eleitoral. Além dos cargos, há contratos diversos, empregos terceirizados, prestação de serviços, apelo irresistível para convencer muitos eleitores. Recordando: quem não dispõe disto à mão, coitado, não tem força nem para a largada.
Novidade a ser dimensionada é o impacto das emendas parlamentares sobre o desempenho dos candidatos que dispõem de mandato, particularmente os deputados federais. Em 2022 o sistema ainda dava seus primeiros passos, novidade recém-inaugurada por Jair Bolsonaro, o “mito”. Em 2026 será possível aferir os efeitos do sistema em pleno funcionamento nos últimos quatro anos. Tudo indica que vai apenas reforçar o poder de quem dispõe da caneta para destinar essas emendas.
Com base nesse cenário, é difícil apostar em renovação, mudanças na fauna política. Aqui ou ali alguém opera mal e fica na suplência, alijado por um concorrente mais hábil, mas, quase sempre, também “de dentro” do sistema político. Mas são mudanças pontuais, avassaladoras renovações ficaram no passado, quando o uso da máquina não estava tão azeitado.
Imagino que, em outubro, quando as urnas se abrirem, haverá poucas mudanças e escassas surpresas. O sistema, fruto de uma ampla concertação partidária, é avesso a transformações, foi concebido para manter lá quem já está lá. Neste jogo, fé, esperanças e outras ingenuidades serão inúteis.
Ilustração: com uso de I.A
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