O cenário político brasileiro entrou em ebulição anteontem, com revelações sobre as estreitas ligações entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Já ontem, veio à tona que o também ministro André Mendonça – na véspera, esteio moral do Brasil – também manteve seus contatos com Vorcaro. Em suma, muita gente teve lá suas conversas reservadas com o ex-banqueiro. Inclusive Flávio Bolsonaro, o filho do “mito”, candidato à presidência.
A eclosão de crises institucionais costuma vir acompanhada de receitas drásticas para a solução dos problemas. Sobretudo quando fica no ar a sensação de que todos os graúdos da República estão envolvidos em escândalos de corrupção. É exatamente o caso atual do STF. É exatamente, também, o discurso que muitos cultivam por aí sobre tudo, o tempo todo.
Qual a solução para tanta corrupção, então? A ascensão de um líder investido de plenos poderes para nos conduzir, de novo, a um tempo de ordem e progresso, como no passado. Em suma, um salvador, um redentor, patriota, incorruptível, defensor da família, conservador dos costumes e liberal na economia. Qualquer semelhança com o passado recente não é coincidência. E já deu no que deu.
O discurso borbulha nos canais da extrema-direita e, desta vez, conta com um aliado poderoso: Donald Trump, cujo entorno extremista parece disposto a influir nas eleições brasileiras. Após intervir na Venezuela, Trump moveu-se para interferir nos pleitos do Peru, da Colômbia e no Chile, como acusa a oposição nestes países.
É evidente que a democracia brasileira segue a perigo, sob incessantes ameaças há muitos anos. Seria ingenuidade imaginar que, neste pleito conturbado de 2026, os golpistas não retomariam suas manobras para chegar ao poder. Estão aí, ativos, tentando embolar as eleições…
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