Humildes pode ser considerado o distrito feirense mais dinâmico economicamente. É cortado por duas BR: a 324, que liga Salvador à Feira de Santana no sentido Sul-Norte e a extensa BR 116, que atravessa o País e que, no distrito, percorre o sentido Oeste-Sudeste. No perímetro de Humildes funcionam fábricas, postos de combustíveis, empresas diversas do setor automotivo, além de um robusto segmento logístico. A presença das rodovias dinamiza a economia do distrito e gera postos de trabalho que, noutros distritos, não existem.
Nas últimas décadas o distrito experimentou um movimento acelerado de expansão, perdendo aquele ar de comunidade rural – com sua igreja na praça, chácaras e sítios – e ganhando o aspecto de uma cidade secundária de região metropolitana, cuja economia se articula com o entorno oferecendo uma gama significativa de comércio e serviços urbanos.
Os 106 quilômetros quadrados de Humildes abrigam uma população de 18.785 pessoas, o que corresponde a 177,19 habitantes por quilômetro quadrado. Os pardos (10,8 mil), os pretos (6,7 mil) e os brancos (1,2 mil) compõem a população local por cor e raça. Os dados são do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
Os autodeclarados brancos correspondem a apenas 6,4% da população do distrito. A proximidade com o Recôncavo e com as regiões de cultivo de cana-de-açúcar e fumo, iniciadas a partir da ocupação do território baiano, séculos atrás, ajudam a explicar o predomínio da população negra na região. Pretos e pardos prevalecem também nos distritos de caatinga da Feira de Santana, mas menos intensamente.
Em Humildes há mais mulheres que homens, mas sem grande disparidade: 51,6% a 48,3%. A população com idade até 14 anos – em ambos os sexos – totaliza cerca de 11% dos moradores de Humildes. Quem tem idade superior a 60 anos representa cerca de 5% da população total. Lá não se verifica, portanto, aquele cenário de muitos idosos e poucas crianças, observável em locais de baixo dinamismo econômico.
Imagino que, aos poucos, Humildes vai adquirir feição urbana crescente. Por lá, 99,46% dos 8,1 mil domicílios são casas. Mas, em 2022, já havia 36 casas de vila ou condomínio. Sinal que o modelo – tipicamente citadino – começa a ser replicado no distrito. Naquele momento ainda não existiam apartamentos, mas também não foram notificados cortiços e malocas.
Anos atrás surgiu um acalorado debate sobre a emancipação de Humildes. Isso foi antes do ciclo de crises que abalroou o Brasil e que se sobrepôs a diversas discussões. Hoje o tema permanece adormecido, não apenas na Feira de Santana, mas em todo o Brasil.
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