Finalmente o Senado aprovou a proposta que extingue a jornada de trabalho de seis dias trabalhados para um de folga. Acovardada neste momento eleitoral, muita gente contrária votou pela aprovação da proposta, que conta com a simpatia de 70% dos brasileiros. É um alento em meio à onda reacionária que varreu o País nestas eleições. Mas o avanço deve ser celebrado com cautela: mais à frente, podem tentar revogá-lo, conforme já se especula.
A proposta surgiu a partir do Movimento Vida Além do Trabalho, criado pelo ex-balconista de farmácia, atual vereador no Rio de Janeiro e deputado federal eleito Rick Azevedo (Psol). Nas eleições recentes, ele alcançou 191 mil votos, assegurando uma vaga no Congresso Nacional representando o Rio de Janeiro. A deputada Érika Hilton (Psol-SP) apresentou o projeto no Congresso, abraçando a ideia.
A extrema-direita tentou, de todas as maneiras, impedir a aprovação da proposta. Não conseguiu: a ampla maioria dos trabalhadores brasileiros é favorável à iniciativa e a mobilização foi intensa, encurralando o Congresso Nacional. O projeto beneficia sobretudo aqueles que pelejam no comércio e nos serviços, em funções modestas e com remuneração mais baixa.
Flávio Bolsonaro – o filho do “mito” – votou a favor de olho em prováveis prejuízos eleitorais neste segundo turno. Mas, até a véspera da apreciação, opunha-se à proposta. Lula (PT) tende a colher dividendos eleitorais com a medida, em um incerto cenário de segundo turno.
Não tenho ideia de quantos trabalhadores aqui da Feira de Santana serão beneficiados com a medida. Mas o fato é que, numa cidade cuja atividade econômica é fortemente atrelada ao comércio e aos serviços, muita gente hoje deve encarar jornadas com apenas um dia de folga na semana. Imagino que, por aqui, o impacto sobre a qualidade de vida vai ser expressivo.
Os patrões, como é óbvio, preveem grandes desgraças: inflação, desemprego, quebradeira, o escambau. É parte do jogo. Foi assim em todos os avanços conquistados pelos trabalhadores brasileiros. Ninguém dá nada de graça.
Mas, apesar da conquista, é bom ter consciência de que a luta prossegue. Principalmente se o filho do “mito” chegar ao Palácio do Planalto…
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