Há tensão no ar nesta semana que antecede a rodada decisiva das eleições presidenciais. Notícias indicam que, Brasil afora, há registros de agressões, intimidações e até destruição de imagens católicas, fora a infinidade de agressões e calúnias que pululam nas redes nada sociais. Toda esta tensão pode conduzir a uma nova tentativa de golpe, caso a extrema-direita não eleja seu candidato? É bom não descartar. Afinal, foi assim há quatro anos.
Eleições presidenciais tornaram-se tensas pelo mundo. A vizinha América Latina é um exemplo contundente, com recentes pleitos acirrados no Peru, na Colômbia e no Equador. No Chile as insatisfações desdobraram-se em violentas manifestações de rua, logo após a posse do presidente de extrema-direita. Na Argentina, os hermanos padecem sob uma gestão tresloucada, que escangalhou a economia, produzindo desemprego, pobreza e mais desigualdade.
Referência de estabilidade política noutros tempos, a Europa convive há quatro anos com uma guerra na Ucrânia, assiste ao avanços da extrema-direita no Leste do continente e, na sua porção ocidental, a insatisfação com governos e governantes é notória. Itália e, principalmente, França, enfrentaram violentos distúrbios em suas ruas no final de semana.
Qual a origem de toda esta insatisfação? Para usar uma expressão corriqueira, parece que o Capitalismo não está entregando aquilo que promete – ou dizem que promete. As crises econômicas desta século XXI e as frustradas expectativas de ascensão social estão gerando multidões de ressentidos e insatisfeitos com os rumos da sociedade. As crises de governança dos Estados parece mais um sintoma que, propriamente, a causa das inquietações.
O desdobramento tem sido a radicalização de segmentos médios, que enxergam nos fluxos migratórios, na corrupção endêmica, na globalização, nas medidas de reparação social, na autonomia feminina – e por aí vai – as causas de suas mazelas, de sua estagnação econômica. Esta gente é facilmente seduzida pelas promessas de mudanças profundas, de volta a um passado idílico, conforme se vê por aí.
Sim, ha um mal-estar com o modo de organização da produção na maioria das sociedades. Muito dessa crise decorre do fato de o capitalismo ser incapaz de solucionar a escassez de planeta – os recursos naturais são limitados – para tantas ambições de consumo, frustradas cotidianamente.
“Qual é a alternativa, então?”, indagará alguém, pragmaticamente. Eis o drama: não existem, no cardápio, opções imediatas. Sequer um esboço, um rascunho, nada. Tragicamente, a barbárie parece a alternativa mais próxima.
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