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Laila Geovana Beirão

Daniel Rego

Mulheres nas ruas

Maria, posso fotografar? – ela já  fez a pose, solícita. No comércio tem que ser simpática. Maria, vou contar a sua história , e ela, baforando: quem quer saber de minha história…!? deixa queto. Bem jovem, um sorriso estampado nos olhos, jeito avexado de andar, serpenteava pela multidão da Marechal. Era um sábado, o dia da

Os aguaceiros da Feira

Chovia a cântaros no estertor do dia (epa! roubando dos poetas) batidas repetidas na casa de Oswaldo Torres, recostado na poltrona, luzes apagadas, nada de rádio ligado, espelhos cobertos, todas as medidas de cautela contra raios, como se apregoava antigamente e até hoje com pessoas crentes. As crianças e os serviçais já dormindo. Oswaldo demorou

Ladainha

– Lá vem você com essa ladainha! A ladainha, ou litania, é aquela música maçante, repetitiva, que desafia a paciência e o silêncio onde repousam os mistérios da fé. A repetição na ladainha é portanto o exercício da fé que não costuma faiá. Não é bem assim, na prática, mas é verdade que a insistência, água

A dedicatória em “Setembro na Feira”

“Ao querido Walter Fontoura, na esperança de que a leitura resgate lembranças da adolescência no interior do Brasil. Rio, agosto 86”. A dedicatória está no exemplar de “Setembro na Feira”, livro lançado pelo jornalista baiano Juarez Bahia. A obra é ambientada na Feira de Santana e a personagem principal – arguto e atento observador –

O CAIC e a união das oposições a ACM

Era 1997, o CAIC havia sido inaugurado há pouco tempo. Inspirado nas ideias do educador baiano Anísio Teixeira, resgatado por Brizola, no Rio de Janeiro, e tornado, então, programa do governo Collor que construía os colégios em parceria com os Municípios. Feira ganhara uma unidade, tratada a pão-de-ló pelo governo municipal que Zé Falcão acabara

Que tal um Samba?

Salvador, manhã de sábado, sol vigoroso, algumas nuvens e mar tranquilo. Foi então que, no rádio, toca “Que tal um samba?”, de Chico Buarque. “Será música antiga, que nunca ouvi?”. Não: a canção é recente, de 2022, descobri depois. Ouvindo-a pela primeira vez, percebi que traduzia com perfeição o quadriênio nefasto que o Brasil atravessou

Repertório de Van

Ouvi dizer que sua boca esqueceu da minha boca Esqueceu foi porra… Esqueça o caminho desse motel Por mim você é fiel Quando você ouvir o meu sinal Vá lá em casa e meta o pé E não é pra tomar café Por que o raio não cai no mesmo lugar e eu caio na
Padre Ovídio, até a chegada do Almirante Tamandaré, era a única estátua de corpo inteiro da Feira. O almirante, está ao lado da plácida Lagoa do Geladinho, e o Padre continua onde está, ao lado da Matriz de Sant’Anna. Onde ele está hoje, sobre essa esfera concavada, era um olho d’água, transformado em tanque que

“A Guerra do Fim do Mundo” no Carnaval

Durante muito tempo planejei ler “A Guerra do Fim do Mundo”, de Mario Vargas Llosa. Lia comentários sobre a obra, ouvia elogios e prometia procurá-la na próxima visita a uma livraria qualquer. Mas, quando entro em livrarias e sebos, uma espécie de transe me domina e não consigo pensar num volume específico, circulo entre as

A mais estranha noite de domingo na Feira

– A feirinha está devagar hoje. É o Carnaval… O comentário – quase um bocejo – foi lançando por uma feirante ali na feirinha do Sobradinho neste domingo de Carnaval. Havia, de fato, pouca gente. Era possível circular com liberdade entre as barracas, pisando o asfalto umedecido pelas chuvas. Havia, também, escassez de produtos: umas
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